terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA-IESAM CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO SERGIO AUGUSTO BARROS VASCONCELOS AS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO EM UM PREDIO PUBLICO DE BELÉM: ESTUDO DE CASO BELÉM - PA 2010 INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA-IESAM CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO SERGIO AUGUSTO BARROS VASCONCELOS AS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO EM UM PREDIO PUBLICO DE BELÉM: ESTUDO DE CASO Artigo apresentado ao curso de Especialização em Engenharia de Segurança do trabalho como requisito parcial para a obtenção do Título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho. Orientador: Prof. Msc. Helio da Silva Almeida BELÉM - PA 2010 INSTITUTO DE ESTUDOS SUPERIORES DA AMAZONIA-IESAM CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO SERGIO AUGUSTO BARROS VASCONCELOS AS CONDIÇÕES DE SEGURANÇA CONTRA INCÊNDIO E PÂNICO EM UM PREDIO PUBLICO DE BELÉM: ESTUDO DE CASO Este Artigo foi julgado adequado para a obtenção do Título de Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho, e aprovada na sua forma final pelo Instituto de Estudos Superiores da Amazônia Data: ____ /____ /____ Nota: ___________ _______________________ Prof. Msc. Helio da Silva Almeida Orientador - IESAM _______________________ Avaliador-IESAM BELÉM - PA 2010 As condições de segurança contra incêndio e pânico em um prédio publico de Belém, estudo de caso Sergio Augusto barros VASCONCELOS Helio da silva ALMEIDA Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho. Instituto de Estudos Superiores da Amazônia. Avenida Governador José Malcher, 1148 CEP66055-260, Belém-PA. Endereço Eletrônico: grosssergio@yahoo.com.br, heliobomb@gmail.com RESUMO - O presente artigo traz um estudo de caso de um prédio publico de Belém, onde pode ser feito uma analise das condições de segurança contra incêndio e pânico, considerando no inicio um panorama geral do que tem ocorrido no país e em especial no estado do Pará e no município de Belém nos últimos tempos. O estudo teve inicio com o levantamento das condições de segurança existentes no prédio quanto à existência de extintores e sinalização de emergência, considerando como fonte de informação e analise as exigências do decreto 357 de 2007 do estado do Pará e das normas Brasileiras NBR 13434-1, NBR 13434-2, NBR 12693, NBR 10898. Seguida de uma proposta de adequação mínima para que o prédio atenda a segurança de seus ocupantes e bens públicos, ao final é realizada uma estimativa de custo de implantação e considerações finais sobre o valor de uma boa consciência para a preservação da vida humana. Palavras - chave: Segurança contra incêndio. Normas de segurança. Brigada de incêndio. Treinamento. RESUMÉ - Cet article, s’agit-il d`un etude de cas d`un bâtiment public à Belém, oú est possible de fairer une observation des conditions de sûreté contre l’incendie et l’panique, en considerand au dédut un panorama générale que on trouve en notre pays et espécialement en le departement du Pará et dans le ville de Belém depuis les dernier temps. L’etude a eu debut avec le soulêment des conditions de sûreté existence encore dans le bâtiment concernant a existence dês extincteurs et sinalization de émergence, em cosiderand comme foyer d’informations et analyse les exigeance du décret 357 de 2007 du departement Pará et des normes Brasilienne NBR 13434-1, NBR 13434-2, NBR 12693, NBR 10898. Ensuite d’une proposition d’adequation au moins pour que le bâtiment obéit la sûreté des leurs usagers et le patrimoine publique, au finde est realisé une conjecture d’implantation et considerations au finde sûr le valeur d’une bonne consiance pour la preservation de la vie humaine. Mot-clé: Sureté contre l`incendie. Norme d´assurance. Brigade de l´incendie. Entraînement. 1 INTRODUÇÃO Nas décadas mais recentes tem-se observado um grande numero de acidentes ou tragédias provocados por princípios de incêndio causando grandes perdas humanas e materiais, e que já não deveriam ocorrer em virtude de existir no país normas que buscam a segurança de nossos prédios habitacionais ou simplesmente onde exercemos nossas atividades laborais, estudantis ou de entretenimento. Casos como os Edifícios Joelma ou Andraus em São Paulo que já nos pareciam distantes no tempo vem à tona recentemente em Belém do Pará quando nos deparamos com o caso do prédio do INSS, Mafra (2010), na Av. Nazaré que só não provocou vitimas fatais pelo fato do sinistro ter ocorrido em um final de semana, ou o caso do prédio na Av. Conselheiro Furtado onde dois apartamentos foram semi destruídos pelo fogo. A maioria dos nossos prédios independente do numero de andares, ainda carecem dos itens básicos de segurança contra incêndio e pânico, muita das vezes por mera questão financeira ficando como ultimo quesito de investimento numa construção ou simples descaso, não recebendo a devida manutenção após sua implantação inicial, e até mesmo por desconhecimento da existência das normas e da possibilidade de haver adequações em prédios mais antigos que foram construídos sem estarem sujeitos as normas atuais. Muitas das vezes os próprios usuários não respeitam os projetos de segurança que por vez ou outra por capricho pessoal obstruem saídas ou acessos a rotas de fuga, sendo o pensamento da maioria que os incêndios são raríssimos e acontecem somente nos edifícios dos outros como bem citou Brentano (2007). Este presente trabalho tem como objeto o estudo de um prédio publico no centro de Belém do Pará, analisando sua conformidade com as atuais normas de segurança contra incêndio e pânico seja de nível estadual ou de nível nacional como forma de determinar o nível de segurança de seus ocupantes e do patrimônio público. 2 METODOLOGIA O estudo realizou-se em um prédio de três pavimentos com área construída por pavimento de 240 m2 e pé direito de 3 m pertencente à prefeitura municipal de Belém, localizado na Rua gama Abreu n⁰ 88, onde antes funcionava a escola de informática e hoje funciona a secretaria municipal de economia. Teve como etapas, o levantamento bibliográfico sobre o assunto, tomada de fotos de pontos específicos do prédio, onde existem alguns equipamentos de combate a incêndio, a confecção de plantas dos pavimentos, análise critica das informações coletadas e segundo as normas NBR 13434, NBR 9077, NBR 12693, NBR 10898 e o Decreto 357 de 21 de agosto de 2007 do governo do Pará e finalmente a criação de um projeto de adequações considerando os requisitos mínimos de segurança. 3 REFERENCIAL TEÓRICO No Brasil temos vistos nas ultimas décadas uma acentuada modernização das nossas edificações, principalmente nas capitais e grandes cidades onde temos o emprego de materiais cada vez mais leve, mais que muitas das vezes não apresentam uma boa resistência ao fogo. Bem como é comum projetos de recintos cada vez menores onde a possibilidade de incêndio e pânico gerado por ele é relegado a segundo plano por carência de um ensino acadêmico completo e que conscientize os projetistas para a possibilidade de grandes tragédias (SEITO et al, 2008). Visando amenizar essa situação, autores Brasileiros lançaram a partir das décadas de 80 e 90 estudos que tentaram corrigir os erros ou modernizar as normas técnicas do Pais, tais como as NBR´s referentes a projetos de incêndio, NBR 12693 dos extintores, NBR 13434 da sinalização de incêndio, NBR 10898 da iluminação de emergência e NBR 9077 da saída de emergência, discutidas e analisadas em obras de grandes pesquisadores e estudiosos do assunto. De acordo com esses autores, o fundamental de uma boa proteção consiste na escolha adequada dos equipamentos que farão parte da proteção predial. Neste quesito precisamos considerar que cada estado Brasileiro determina autonomamente os padrões de segurança adequados a realidade regional. No estado do Para temos o decreto 357/2007, que rege de acordo com o tipo de construção os itens de segurança a ser adotado, cabendo ao projetista a tarefa do dimensionamento. Em termos nacionais, o grande avanço esta também no fato de terem sido criados normas que não se limitam ao projeto de incêndio em si, mais também na consideração dos efeitos psicológicos vistos no ser humano por ocasião de um principio de incêndio ou sinistro (SEITO et al, 2008). A evolução das normas nacionais alcançou tal nível técnico que procuram conciliar as técnicas de se fazer um bom projeto com a conscientização de suas preservações, manutenções e treinamentos de seus ocupantes prediais. Cabendo destacar neste item a citação do grande engenheiro Brentano (2007): Não adianta ter um sistema de proteção bem projetado e executado se, posteriormente o mesmo não passa por inspeção, teste e manutenção constantes. Além disso, os usuários devem saber como se comportar por ocasião de um incêndio e a edificação deve ter pessoas para operar o sistema de forma eficiente no combate ao fogo e comandar a saída com segurança da edificação, isto é, ter uma brigada de incêndio. Por fim, a tendência moderna não só no Brasil mas no mundo todo é considerar para fins de segurança contra incêndio, a preocupação inicial do principio de incêndio, como forma de limitar seu crescimento e descontrole, favorecendo e extinção inicial e fácil de um sinistro e permitindo no caso de necessidade uma rápida evacuação das nossas edificações (SEITO et al, 2008), preservando a saúde física e mental de nossos ocupantes prediais e salvaguardando nossos patrimônios e bens. 4 DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O prédio anteriormente classificado como de classe de risco E-4 (escola) da tabela 1 do decreto 357 do estado do Pará, apresenta agora classe de risco D-1 (repartição publica e escritório) com carga de incêndio de 700 Mj/m2 conforme IT-14 de São Paulo e classificação de risco médio quanto à tabela 3 do mesmo decreto 357 do estado do Pará. Sendo obrigatório pela tabela 4 do decreto 357 estadual que o prédio com área total de 720m2 e 9 m de altura total, apresente como itens de segurança: iluminação de emergência, saídas de emergência, sinalização de emergência e extintores. 4.1 EXTINTORES Todos os andares do prédio apresentam estes equipamentos em funcionamento com seus respectivos símbolos de identificação, entretanto foram encontradas situações em que o tipo de extintor não é aconselhável para a classe de incêndio mais provável nas áreas que se supõem protegidas. Outro fator que chama atenção é a variedade de extintores instalados, sendo encontrados extintores tipo ABC, pó químico BC ou CO2 sem que os funcionários saibam em que situação utilizar cada um deles por falta de treinamento, não há informação se os extintores passam pela manutenção, havendo o risco de utilizar extintor que não apagara o principio de incêndio ou que danificara o equipamento vitima do sinistro. Dando aos usuários uma falsa sensação de segurança. A maioria das salas possui arquivos em papel e computadores para atendimento do publico, apresentando classe de risco A e C como as mais prováveis. Entretanto a maioria delas é atendida apenas por extintor de pó químico para combater o principio de incêndio conforme a Imagem 1, o que é desaconselhável devido à probabilidade de destruição da memória dos computadores como conseqüência do alto poder corrosivo da substancia química Bicarbonato de Sódio (NaHCo3) do extintor, alem de não apagar principio de incêndio classe A, visto que para este o combate é feito por resfriamento e não abafamento. IMAGEM 1. Extintor pó químico Fonte: Acervo do autor Nessas condições o prédio esta em desacordo com as condições especifica da NBR 12693 item 5.1 que determina os cuidados com a classe de risco, natureza do fogo e agente extintor. Existem salas que estão sem o apoio de qualquer extintor, como a sala de materiais (almoxarifado), onde é possível incêndio classe A, B e C. O que coloca o prédio atualmente em desacordo com o artigo 2° item III do decreto 357/2007 do estado do Para. Há situações onde extintores tipos CO2 trabalham sem parceria com extintores de água ou espuma mecânica para os riscos de incêndio classes C e A respectivamente existentes no prédio, além de estarem localizados em corredores estreitos, como o de acesso ao auditório. Conforme Imagem 2. IMAGEM 2. Extintor de CO2 Fonte: Acervo do autor Há extintores obstruídos por mesas e cadeiras tornando impossível sua rápida utilização em situação de emergência. Tornando sua busca insegura no caso de uma intervenção rápida, conforme Imagem 3. IMAGEM 3. Extintor obstruído Fonte: Acervo do autor 4.2 SINALIZAÇÃO E ILUMINAÇÃO DE EMERGÊNCIA Não existe em nenhum andar do prédio e nos corredores ou junto às portas, placas indicativas da direção da saída a se tomar no caso de uma emergência, placas indicativas dos andares não permitindo que o usuário se oriente no prédio ou luminárias de emergência para o caso de um incêndio ou situação adversa provocar o corte de energia no prédio. Conforme Imagem 4. IMAGEM 4. Corredor não sinalizado Fonte: Acervo do autor Nas escadas não existe iluminação de emergência nem sinalização auxiliar próximo aos degraus, tornando seu acesso perigoso e fonte de stress. Conforme Imagem 5. IMAGEM 5. Escada não sinalizada Fonte: Acervo do autor Nestas condições o prédio apresenta mais uma insegurança, visto que o mesmo apresenta corredores estreitos e recebe pouca iluminação natural nestes corredores, não permitindo aos funcionários e usuários uma rápida ação de saída do prédio. No auditório não existe sinalização luminosa indicativa da saída em caso de pânico, apesar de ser um ressinto muito utilizado para reuniões oficiais. 4.3 SAÍDAS DE EMERGÊNCIA Todo prédio deve apresentar requisitos mínimos nas rotas de fuga, que permitam aos seus usuários fazerem uma rápida evacuação do prédio em caso de uma situação de pânico ou de incêndio. Pela tabela n° 7 da norma NBR 9077, o numero recomendado de escadas e portas de fuga para este prédio, considerando a área máxima construída ≤ 750 m2 é de apenas uma escada tipo simples e uma saída de fuga, considerando o tipo de ocupação D e altura do piso de descarga até o ponto mais alto do ultimo pavimento indicado por L, resultado compatível com a realidade da edificação. Para a escada e porta de acesso a área de fuga, a norma NBR 9077 recomenda que seja estimada em projeto a quantidade de unidades de passagens pela formula: N=P/C Onde, N= Quantidade de unidade de passagem P= população C=capacidade de unidade de passagem. Pela norma NBR 9077, tabela n°5 a edificação do grupo D do prédio, deve apresentar 7 pessoas por m2 e capacidade de unidade de passagem igual a 60 para escadas e 100 para portas de acesso a área de fuga Para o calculo da escada, considera se a população do segundo e terceiro piso fluindo para a saída do primeiro piso: P=480÷7 → P=68,57 que implica em: N=68,57÷60=1,15 ~ 2 unidades de passagens ou 1,1 m. Como o prédio apresenta 1,3 m na largura da escada , o mesmo atende a norma. Para a porta de fuga, considera se toda a área do prédio de 720 m2. P= 720÷7 → P=102,86 que implica em N=102,86÷100= 1,02 ~ 2 unidades de passagens ou 1,1 m. Como o prédio apresenta porta de 1,5 m, o mesmo também esta dentro da norma neste quesito. Para os degraus da escada, o prédio atende a norma NBR 9077, possuindo: Altura h =17 cm A largura b dos degraus possui 29 cm dentro do calculo recomendado pela formula 63 cm ≤ (2h+b)≤64 cm, indicado na NBR 9077. O degrau possui bocel de 1,7cm. O patamar possui 1,17cm respeitando a distância mínima expressa pela formula p=(2h+b)n+b, onde: n representa um numero inteiro igual a 1,2,3. Pela tabela n° 6 da mesma norma NBR 9077, o prédio atende os requisitos mínimos de segurança quanto a distancia máxima a ser percorrida, visto possuir 27 m na sua maior distancia e a norma exigir no máximo 30 m. O mesmo ocorre com a exigência da tabela n° 8 para sistema de alarme de incêndio do prédio, não sendo obrigatória a apresentação deste sistema. O corrimão da escada apresenta distancia da parede maior que 40 mm e seção circular com diâmetro dentro do recomendado, entre 38 mm e 65 mm. Conforme Imagem 6. IMAGEM 6. Corrimão Fonte: Acervo do autor Entretanto observa-se que a única saída de fuga é constantemente obstruída por armários, cadeiras e motos estacionadas no corredor de acesso a via publica, fato devido ao pouco espaço nas salas para acondicionar os mesmos materiais e falta de estacionamento para as motos. Conforme Imagem 7. Nestas condições os usuários do prédio podem ficar suscetíveis ao stress e desconforto emocional em função de não poderem sair rapidamente do prédio caso o sinistro bloqueie a única e limitada saída viável da edificação. O que contraria o artigo 2° item I do decreto 357/2007 do estado do Para. FIGURA 7. Saída de emergência Fonte: Acervo do autor 5 PROPOSTAS DE ADEQUAÇÃO 5.1 EXTINTORES O prédio por ser um órgão publico, necessita estar preparado para receber os seus clientes e funcionários, oferecendo não só conforto mais também a devida segurança a suas vidas, com projetos de segurança contra incêndio e pânico que estejam adequados a finalidade do prédio, as limitações de seus ocupantes, ao uso a que o prédio se destina e aos valores guardados em seus arquivos. Pelo decreto 357/2007 tabela 4, do estado do Pará, o prédio não é obrigado a possuir hidrante, mais um bom projeto de extintores para atender um apreciável nível de segurança. Neste caso é aconselhável adotar um projeto que atenda as duas classes de risco mais provável, classe A para arquivos e moveis e classe C para equipamentos elétricos e computadores. Como um extintor de capacidade extintora de 1ª atende 135m2 de área para risco médio, temos que: , portanto no mínimo 2 A de capacidade extintora atende a norma e pela área máxima a ser protegida por extintor temos: , ou seja, apenas um extintor atende o prédio. Pela NBR 12693 tabelas 5, como o prédio possui apenas 240m2, obtemos o mesmo resultado. Um extintor com 2 A de capacidade extintora pode atender uma área máxima de 270m2, nos dando o mesmo numero de extintores. Por esta tabela um extintor seria o suficiente para proteger o andar inteiro, entretanto há a necessidade de respeitar a distância máxima de 20 m a ser percorrida para combate ao principio de incêndio. Essa medição realizou-se considerando a existência de moveis no meio do percurso e que precisão ser contornados por ocasião de um principio de incêndio ate atingir o máximo de 20 m, como garantia da máxima proteção. Todos os extintores devem ser do tipo portátil, locados a 0,2 m do piso acabado, por conveniência das características da população do edifício, visto que na maioria é formada por mulheres e algumas com idade em torno de 50 anos, sendo mais pratico para elas retirar o extintor de uma altura de 0,2 m e não 1,6 m. Os extintores devem ser de preferência colocados em áreas que possam ser facilmente vistos, e protegidos da possibilidade de terem seus acesos obstruídos por objetos ou pelo próprio fogo. Permitindo que todos os usuários estejam familiarizados com a sua localização. Todos os extintores sinalizados com símbolos retangulares com área de 12,6mm x 25,2mm; fundo vermelho e pictograma fotoluminescente em obediência ao código 23 da NBR 13434-1. As figuras 1, 2 e 3 do apêndice, mostram um projeto de adequação de acordo com a norma NBR 12693, para o prédio analisado. A adequação mostra que os extintores de água e CO2 são o suficiente para atender o prédio em cada andar pelo fato deste conjunto atender as classes de incêndio mais provável, eliminando a variação de tipos diferentes de extintores atualmente existentes e mal localizados. No segundo piso somente a sala de DRH precisa de extintores próprios, por conta de um balcão de atendimento que prejudicaria a busca do extintor localizado no corredor por ocasião de um principio de incêndio. No terceiro piso, o auditório que estava sem proteção, passou a ter os extintores de água e CO2, enquanto o corredor estreito que possuía um extintor de CO2 ficou livre por não ser este local uma área de risco iminente quanto ao principio de incêndio. 5.2 ILUMINAÇÕES DE EMERGÊNCIA O prédio pode receber em cada andar um numero de luminárias consideradas suficientes para atender os requisitos de segurança por ocasião de uma saída rápida e eficiente da edificação, respeitando a NBR 10898/99. Essas luminárias são blocos autônomos com 3 lux nos corredores e 5 lux nos desníveis das escadas, localizadas junto ao teto a 3 m de altura e distância entre elas de no máximo 12 m, conforme exigência da norma NBR 10898/99 item 5.1.1.2. Esses cuidados devem ser tomados devido à possibilidade de pânico entre as pessoas que durante uma situação de incêndio acabam com limitações de visão devido ao corte de energia elétrica ou à fumaça nos ambientes, alem das palpitações provocadas por lacrimejamento e, sobretudo por causa da presença do gás carbônico, conforme cita Seito et al (2008, p.48). Sendo as luminárias uma fonte excelente para compensar a visão e permitir uma fuga razoavelmente controlada e segura. A locação das luminárias está indicada nas figuras 1,2 e 3 do apêndice. 5.3 SINALIZAÇÕES DE EMERGÊNCIA E ROTAS DE FUGA O prédio por não ter espaço pelas laterais ou pela parte dos fundos que possa ser aproveitado para a construção de rotas de fuga é obrigado a oferecer apenas a porta voltada para a via publica como única rota de fuga viável para seus ocupantes e clientes no caso de uma situação de emergência. Ocorrendo no prédio a possibilidade de acidentes devido à lentidão com que o prédio devera ser evacuado por esta única saída obstruída por objetos e arquivos. Como forma de evitar o pânico e ajudar a evacuação rápida do edifício tanto por parte de seus funcionários quanto por seus freqüentadores que não estão familiarizados com o prédio, deve ser a sinalização recomendada pela norma brasileira NBR 13434 realizada em todos os andares do prédio. Essa sinalização visa permitir que o prédio esteja evacuado antes que o incêndio atinja um ponto critico para seus ocupantes. Neste quesito é esclarecedor a opinião do autor Seito et al (2008, p.94) onde podemos ler “As condições criticas durante um incêndio em uma edificação ocorrem quando a temperatura excede a 75⁰C, e/ou o nível de oxigênio cai abaixo de 10% e/ou as concentrações de monóxido de carbono ultrapassam 5000 ppm” Para evitar essa situação critica, a norma sugere placas que indicam o sentido das rotas de fuga e ações necessárias para seu acesso, instaladas de forma que de qualquer lugar, qualquer pessoa possa ver a placa seguinte. Apresentando formato quadrado ou retangular, na cor verde e fotoluminescente, conforme o quadro 5.3 da norma NBR 13434. Para o prédio em questão, o segundo piso poderá ficar como indicado da Imagem 8. Onde será instalada uma placa na parede logo em frente à escada de acesso do terceiro piso, localizada a 1,8 m do piso acabado e uma placa dupla face indicando o acesso para o primeiro piso, localizado a 2,8m do piso acabado. IMAGEM 8. Corredor 2⁰ piso sinalizado Fonte: Acervo do autor No terceiro piso, onde trabalha o secretario e seus auxiliares, são necessários uma placa sobre a porta, indicativa do acesso a rota de fuga aos usuários. Neste recinto, devido à importância do ambiente é recomendável também uma placa de proibição. Conforme Imagem 9. IMAGEM 9. Acesso ao secretário Fonte: Acervo do autor Neste piso, também é necessário que no corredor que permite o acesso ao auditório, seja colocada uma placa de orientação de dupla face na altura de 2,8m do piso acabado, junto à escada, conforme Imagem 10. IMAGEM 10. Corredor do auditório Fonte: Acervo do autor No primeiro piso, a necessidade principal esta no corredor do fundo do prédio que dá acesso aos banheiros masculino e feminino. Neste corredor não é possível um observador ter visão direta a porta da rua, necessitando da intervenção de uma placa indicativa do caminha a ser seguido em caso de emergência, mostrado na Imagem 11. IMAGEM 11. 1⁰ Corredor acesso aos WC. Fonte: Acervo do autor Nas escadas devem ser colocadas placas indicativas dos andares a 1,8m do piso acabado para que os usuários do prédio possam saber quantos andares precisaram descer para sair do prédio, conforme indicado na Imagem 12. IMAGEM 12. Escada sinalizada Fonte: Acervo do autor Além da sinalização indicada, o prédio necessita de sinalização auxiliar visando dar indicação continuada da rota de saída, do sistema de combate a incêndio e de alerta, colocadas nos corredores, nos vãos das escadas, junto aos extintores e próximos a caixas de energia elétrica. A indicação auxiliar para corredor e escada mais indicada segue o recomendado pela norma NBR 13434, com espaçamento entre elas de 3m na linha horizontal medidas a partir das extremidades internamente consideradas e localizadas a 0,3 m do piso acabado, e nas dimensões de 200 mm por 70 mm, colocadas alternadamente a parede esquerda e direita ate o acesso de saída. A sinalização de perigo deve ser utilizado nos três andares, nos locais onde existe risco de choque elétrico devido a existência de caixa de força. Esta sinalização é na cor amarela com borda preta, no formato triangular e a 1,8 m do piso acabado, conforme determina a tabela 5.2 código 9 da norma NBR 13434. Todos os extintores deveram ser sinalizados a uma altura de 1,8 m do piso acabado imediatamente acima do extintor, em formato retangular e material na cor vermelha fotoluminescente e indicando a natureza do extintor para facilitar a sua correta utilização. O auditório por estar sujeito a receber pouca iluminação natural e em situação normal apresentar suas luminárias artificiais apagadas, apresenta poucas condições de receber placas fotoluminescentes em seu interior. Neste caso o recomendável e utilizar uma luminária de balizamento, sem prejudicar as placas fotoluminescentes onde estas podem ser utilizadas. Para o auditório esta deve ser localizada imediatamente acima da porta de entrada e saída. 5.4 INVESTIMENTO DA IMPLANTAÇÃO A implantação não deve ser considerada como um custo, mas como um investimento a segurança dos usuários e clientes do prédio. Devendo ser um dos primeiro itens a ser considerado por ocasião de uma reforma ou mudança de prédio. Um ponto a ser considerado é a conscientização de que um prédio que atende o mínimo recomendado, é melhor que um prédio que dispõem de um sistema exagerado de combate a incêndio, mas que não tem manutenção ou só funciona na teoria. Na edificação em questão, o projeto visa mostrar uma forma de adequação básica de combate a incêndio e pânico determinado pelo decreto estadual 357/07 do estado do Para, que exige requisitos mínimos a ser seguido para garantir a segurança. Obviamente outros projetos para o prédio podem ser idealizados e implantados, sendo cada projetista capaz de criar diversas soluções, o objetivo deste trabalho é trazer uma proposta viável do ponto de vista financeiro e de fácil aplicação onde todos possam participar para o sucesso da proposta apresentada. Em cada andar é necessário que nenhum item fique de fora, caso contrario, a seguranças contra incêndio e pânico fica comprometida. A tabela 1 mostra a listagem da quantidade de cada componente por andar do prédio. Tabela 1- Quantidade de material. Equipamento 1 Piso 2 Piso 3 Piso Total Extintor de água 2 3 2 7 Extintor CO2 2 3 2 7 Luminária de emergência 5 4 5 14 Luminária de balizamento - - 1 1 Placa indicativa de escada de emergência - 1 1 2 Placa indicativa de saída de emergência 3 4 1 8 Placa Indicativa de andar - 1 1 2 Sinalização auxiliar de rota de fuga 15 15 8 38 Sinalização de alerta de choque 1 1 1 3 Sinalização de proibição 1 - 1 2 Sinalização de extintor 4 6 4 14 Fonte: Dados da pesquisa Quanto ao valor total do investimento, o calculo foi feito através de uma media de valores pesquisados no mercado. A tabela 2 mostra o valor aproximado do investimento. Tabela 2- valor total do investimento Material Quantidade Preço unitário ( R$ ) Total Extintor de água 7 80,0 560,00 Extintor de CO2 7 130,0 910,00 Luminária de emergência 14 30,0 420,00 Luminária de balizamento 1 60,0 60,00 Placa indicativa de escada de emergência 2 7,0 14,00 Placa indicativa de saída de emergência 8 7,0 56,00 Placa indicativa de andar 2 7,0 14,00 Sinalização auxiliar de rota de fuga 38 5,0 190,00 Sinalização de alerta de choque 3 3,0 9,00 Sinalização de proibição de fumo 2 2,0 4,00 Sinalização de extintor 14 9,0 126,00 Total da implantação 2.360,00 Fonte: Dados da pesquisa 6 CONCLUSÃO Os dados levantados mostram que o prédio pode ser mais seguro com a implantação de um sistema de combate a incêndio e pânico a baixo custo, permitindo que os seus ocupantes possam se sentir seguros no local de trabalho e auxiliando o corpo de bombeiros no caso de uma situação real de incêndio. Obviamente sem desconsiderar que o projeto em si não pode ser feito sem o devido treinamento das pessoas que ficarão encarregadas de manter o sistema em perfeito estado de funcionamento, ao mesmo tempo em que é necessário que todos os ocupantes do prédio saibam o significado de cada placa de sinalização e o correto manuseio dos extintores. Nesses termos, o projeto oferece a segurança mínima necessária recomendada pelas normas nacionais vigentes, de fácil entendimento e compreensão pelos usuários do prédio. Para o sucesso do projeto, o uso correto do prédio deve ser feito de forma consciente, de forma a garantir a segurança de seus ocupantes, o que na pratica significa que o mesmo não pode ser usado como deposito, como ocorre atualmente. É necessário que os corredores estejam desobstruídos e prontos para atender uma rápida evacuação de todas as vitimas de um sinistro, sem provocar pânico entre os envolvidos. O prédio por pertencer à prefeitura de Belém, pode ter funcionários treinados que posa saber como agir em caso de emergência. Para tal, aos mesmos pode ser oferecidos cursos de combate a incêndio pelo próprio órgão municipal. Vários treinamentos são oferecidos por escolas especializadas no estado. Essas escola pode com parceria contribuir com treinamento de combate a incêndio, o que tornaria nossos prédios muito mais seguros. AGRADECIMENTOS Ao professor orientador Helio da Silva Almeida em especial e a toda a equipe de professores do curso de Eng. de Segurança do Trabalho, a bibliotecária que contribuíram com a revisão do artigo, bem como a turma do curso pela parceria e companheirismo. REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR10898: Sistema de iluminação de emergência. Rio de janeiro, 1999. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR12693: Sistema de proteção por extintores de incendio.Rio de Janeiro, 1993. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR13434: Sistema de segurança contra incendio e pânico. Rio de Haneiro, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR9077: Saida de emergência em edificios-procedimentos. Rio de janeiro, 2001. BRENTANO, Telmo. A proteção contra incêndio no projeto de edificação. Porto Alegre: T-Edição, 2007. 616p. MAFRA, S. Incendio no predio do INSS é contido. Diário do Pará, Belém, 1 agosto, 2010. Disponível em: < http://www.diario do pará.diarioonline.com.br/n-102995.html>. Acesso em: 10 set. 2010. SEITO, Alexandre Itiu. et al. A segurança contra incêndio no Brasil. São Paulo: Projeto editora, 2008. 496p. APÊNDICES: Planta baixa do Projeto Primeiro piso Segundo piso Terceiro piso

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